TRABALHO DO DEMÓNIO – EPISÓDIO #1: O ADVOGADO RESILIENTE

Atenção, advogados destemidos.

A melhor oferta de trabalho de todos os tempos chegou.

Damos assim início à nova rubrica: TRABALHO DO DEMÓNIO, CONSELHOS DAS DEUSAS.

E começamos em grande com uma pérola jurídica que promete desafiar até o mais estoico dos causídicos.

Episódio #1: O Advogado Resiliente

Se achas que já viste de tudo no mundo jurídico, prepara-te e agarra bem essa toga, porque esta vaga promete redefinir os limites do suportável.

Requisitos oficiais (e oficiosos):

– Disponibilidade imediata.

Esquece os teus clientes antigos, abandona processos a meio e corre como a Rosa Mota. Esta oportunidade não espera por ninguém.

– Conflito de interesses com o Partido Socialista.

Se já tinhas um, parabéns: estás 50% qualificado.

– Forte resiliência para provável perseguição política.

Finalmente, uma entidade empregadora que se assume tóxica sem rodeios.

– Capacidade para ganhar mais causas do que perder.

Caso contrário, pontapé na dignidade e despedimento com “justa causa”.

Remuneração de sonho:

Durante os primeiros 180 dias, recebes 50% do que conseguires arrancar aos clientes. Boa sorte com isso.

Se sobreviveres à fome e ao frio, passas ao nível 2: 1.000 euros fixos (sim, mil euros!), mais 20% do que conseguires resgatar.

Ah, e claro, nada de adiantamentos: pagamento só no mês seguinte.

Com as alterações climáticas, parece que os invernos estão mais frios — trabalhar para aquecer nunca fez tanto sentido.

No fundo, esta é a oportunidade perfeita para quem quer viver na corda bamba: um pé no tribunal, outro no desemprego e a cabeça no manicómio mais próximo.

Se esta vaga fosse um contrato de trabalho, seria classificada como crime de ofensa à integridade moral.

Se conheceres alguém com uma veia masoquista e espírito de gladiador, avisa: há aqui uma oportunidade imperdível no Distrito do Porto.

Autor

A Filipa é estratega de RH, autora da rubrica original “Trabalho do Demónio” e mestre na arte de detectar o disparate com uma pontaria feroz. Tem mais de 15 anos entre o talento e a tecnologia, a agilidade e a burocracia, a promessa e a realidade. Vive entre frameworks ágeis e cafés fortes, mas é no absurdo dos anúncios de emprego que encontra o seu combustível. Escreve com ironia afiada e precisão cirúrgica. Ri-se para não chorar — e expõe para transformar. Porque humanizar o trabalho começa por saber olhar de frente o ridículo. E dar-lhe nome.

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