Trabalho do DemoBusiness Manager mas a cheirar a esturro
Businessman in a suit using a laptop and smartphone in an urban setting, blending technology with business.

Business Manager mas a cheirar a esturro

Já sabem: hoje é terça-feira, o dia sagrado em que os job postings dos deuses descem à Terra — ou, pelo menos, ao LinkedIn.

Abrimos o feed. Lá está ele. O post. O chamamento.

A promessa de glória em três atos mal disfarçados.

“Chamam-lhe Business Manager, mas… cheira a esturro.”

CHAMADA GERAL PARA BUSINESS MANAGERS COM ATITUDE!

Se ouves um “não” e respondes com “aguenta aí que já volto”, este anúncio é para ti.

(Há quem leve com um “não” e vá fazer um chá. Cada um reage como pode.)

Estão a recrutar para três níveis hierárquicos do mesmo cargo-vassoura:

Junior: zero medo, muita vontade (ou, como também se descreve, um labrador).

Mid: já sabes o que fazes, mas vais fazer de sénior por metade do salário.

Senior: fecha contas, joga em alto nível e… alimenta o Excel das previsões como quem reza num altar pagão.

Localização: Lisboa ou Porto, em regime híbrido.

Tradução: estarás mais no escritório do que a palavra “híbrido” ousa prometer.

Mas afinal…

O que é esta criatura mitológica chamada Business Manager?

– És gestor? Comercial? Dono de equipa? Pseudo-psicólogo?

– Intermediário emocional entre RH, cliente e equipa de recrutamento?

– Recebes comissões dos salários dos consultores?

– És aquela pessoa que promete ao cliente o impossível… e depois pede ao tech recruiter para encontrar um “júnior com 10 anos de experiência”?

Oferecem:

– Projetos com impacto global (provavelmente vais mandar e-mails em inglês com o fuso errado).

– Liberdade para crescer (e para bater metas irreais com KPIs inventados na hora).

– Pessoas boas (não se especifica se “boas” como colegas ou “boas” a suportar pressão em silêncio).

E o ponto alto da vaga:

– Conforto absoluto em vender um pipeline de candidatos fantasma.

Nada como revirar a base de dados à pressa, rebatizar uns CVs velhos de “novos talentos”, e telefonar-lhes com a voz do entusiasmo a perguntar se ainda estão à procura de um “novo desafio”.

Se és bom de conversa, adoras targets, e consegues elogiar o LinkedIn do cliente enquanto pedes desconto no projeto… talvez sejas o escolhido.

Mas atenção: se um dia te disserem “aguenta aí que já volto”…

Pode ser o consultor.

A fugir para um trabalho com salário fixo. Ou para um projeto com contratação direta.

Até ao próximo episódio.

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