TRABALHO DO DEMÓNIO – EPISÓDIO #7: O GUARDIÃO DA VACARIA SECRETA

Bem-vindos à edição internacional da rubrica.

Hoje viajamos até Angola para mais uma pérola do absurdo — uma vaga tão misteriosa que cheira a segredo de Estado… ou a estábulo metafísico.

Local: Angola

Empresa: Confidencial (traduzido: não perguntes, não saberás)

Projeto: Já em “velocidade de cruzeiro” — as vacas andam de catamarã e dão leite com espuma de cappuccino.

Procuram:

Um Responsável de Vacaria.

Mas atenção: não é uma vacaria qualquer.

Este é um projeto “dinâmico”. As vacas fazem yoga ao nascer do sol e meditação guiada ao pôr do mesmo.

Tudo já está operacional, por isso é só chegar, pegar nas rédeas (ou no chocalho) e liderar com espírito zen.

A cereja no feno?

Não há uma única linha no anúncio sobre:

– Tipo de contrato

– Funções concretas (vais gerir vacas, pessoas, orçamentos ou pastagens?)

– Condições de alojamento, segurança, ou apoio à expatriação

Mas promessas, não faltam:

“Excelentes condições laborais e remuneratórias”

Vindo de um anúncio anónimo, é como aquele primo que te diz “confia” antes de te arrastar para um esquema de investimento duvidoso.

E como te candidatas?

Simples.

Basta enviares o teu CV e referências (de quem? de onde? sobre o quê?) e talvez sejas o escolhido para liderar a vacaria mais secreta do mundo empresarial contemporâneo.

Se encontrares mais vagas escondidas na selva digital com este nível de mistério, envia por mensagem privada.

A saga Trabalho do Demónio – Conselhos das Deusas continua a juntar os maiores exemplares de anúncios dignos de um museu do absurdo.

Autor

A Filipa é estratega de RH, autora da rubrica original “Trabalho do Demónio” e mestre na arte de detectar o disparate com uma pontaria feroz. Tem mais de 15 anos entre o talento e a tecnologia, a agilidade e a burocracia, a promessa e a realidade. Vive entre frameworks ágeis e cafés fortes, mas é no absurdo dos anúncios de emprego que encontra o seu combustível. Escreve com ironia afiada e precisão cirúrgica. Ri-se para não chorar — e expõe para transformar. Porque humanizar o trabalho começa por saber olhar de frente o ridículo. E dar-lhe nome.

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