Trabalhos do Demónio – Episódio #13 | 68 Anos Sem Enter: A Inovação Que Faltava
Está tudo a ir de férias, mas o “Trabalhos do Demónio” mantém-se aqui, firme e hirto como uma barra de ferro. Ora cá vamos a mais um, cheio de ondas de calor nesta manhã de verão.
“O texto não tem parágrafos, mas tem ambição.”
O Grupo MCOUTINHO quer reforçar a operação em Setúbal.
Função: logística + armazém + carros + cargas + descargas + inventários + movimento + movimento + movimento + fé divina.
E saber escrever anúncios de emprego? Não está nas tarefas. Claramente.
A descrição é uma parede de texto.
Sem parágrafos, sem pausas, sem piedade.
Um escape room visual onde a única pista é tentar encontrar onde começa a próxima frase. Porque, claramente, o maior desafio aqui é… lê-lo até ao fim sem desmaiar.
Se isto é o cuidado que põem no recrutamento…
imagina lá como é que serão os procedimentos internos. Ou o Excel partilhado.
Preferência por residentes em Setúbal ou “zonas limítrofes”.
(Estas palavras a 5 euros a unidade, ui ui. Palavras caras, formatação em saldos.)
Sim, porque em 2025 em Portugal, onde tu moras continua a ser critério de seleção.
E se o/a trabalhador/a ideal quiser viver em Borba com vista para o Alentejo e ainda assim chegar a horas?
Problema dele/a.
Ou será que põem um airtag nos funcionários para controlar o GPS no processo de onboarding?
As tarefas são mais que muitas:
– Ajudar no armazém
– Mover carros
– Cargas e descargas
– Fazer inventário
– Estacionar sem riscar jantes
– Cumprir todas as normas
– Sorrir com vontade de viver
– Lutar contra o relógio
– Resolver tudo com meia dúzia de emails
– E, se houver um incêndio… apagar também. Porque não vai ser bombeiro. Ou vai?
Dizem que são uma empresa com 68 anos de experiência.
Mas ninguém, em 68 anos, descobriu o botão “Enter” no teclado.
E isso, meus caros, não é inovação.
É negligência estética.
Queres fazer parte de uma empresa em crescimento?
Começa por contratar alguém que saiba usar a tecla “Enter”.
Ou melhor ainda: alguém que perceba que um anúncio de emprego também é employer branding.
Porque o talento já não quer apenas “emprego”.
Quer respeito. Quer clareza. Quer sentido.
E honestamente?
Quer parar de rir para não chorar.


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