Trabalhos do Demónio – Episódio #19 – “Diretor de RH & Assistente Executivo” – o Pokémon híbrido versão PME

Senhores empresários, vamos acabar com a farsa: não existe uma criatura mística chamada “Diretor de RH/Assistente Executivo”.

Isto não é a Liga Pokémon. Não dá para fundir dois cargos num só e esperar que saia um Charizard.

O anúncio pede alguém para:
  • Definir estratégia de RH.
  • Fazer payroll e lançamentos em Excel.
  • Marcar reuniões e gerir agendas.
  • Atender telefonemas e ainda sorrir para a fotografia do organigrama.
Só um detalhe:
  • Um Diretor de RH não faz payroll.
  • E não ganha 1.500€ + tickets. Um diretor a sério está acima dos 50k/ano e com foco estratégico, não a “tirar cópias e aprovar férias”.
O modo PME em ação:
  • Muito título, pouca substância.
  • Muita parra, pouca uva.
  • Muito “business em rápido crescimento”, pouca noção.

O que precisavam de escrever, provavelmente, era isto:

  • Assistente executiva full-time com inglês.
  • Fractional HR sénior externo para montar processos e dar rumo.
  • Um estagiário IEFP a aprender com o HR sénior para crescer dentro da empresa.

Simples, honesto e sem enganar candidatos.

Mas não. Preferem chamar “Diretor” e depois queixam-se de erros no payroll, processos a falhar e do eterno mimimimi. Quando, na verdade, quem não entende as funções… é quem está a contratar.

E é por isso que o episódio desta semana do podcast vai direto a este drama:

  • Quais os maiores erros das PME ao contratar funções de RH?
  • E porque é que insistem em pedir um canivete suíço com payroll no barulho?

Não percam. Pode salvar-vos do próximo desastre.

Autor

A Filipa é estratega de RH, autora da rubrica original “Trabalho do Demónio” e mestre na arte de detectar o disparate com uma pontaria feroz. Tem mais de 15 anos entre o talento e a tecnologia, a agilidade e a burocracia, a promessa e a realidade. Vive entre frameworks ágeis e cafés fortes, mas é no absurdo dos anúncios de emprego que encontra o seu combustível. Escreve com ironia afiada e precisão cirúrgica. Ri-se para não chorar — e expõe para transformar. Porque humanizar o trabalho começa por saber olhar de frente o ridículo. E dar-lhe nome.

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