Trabalhos do Demónio – Episódio #23 – O Videógrafo dos 7 Ofícios.

Mais um clássico da saga “O que é isto afinal? Um emprego ou um pedido ao Pai Natal?”

Há anúncios que são poesia. Este é mais um deles.

A equipa do Celso Lascasas quer contratar um profissional de vídeo.

Ou melhor: um profissional de tudo o que envolve um vídeo, a sua alma, o seu nascimento e a sua distribuição no TikTok.

📹 Procuram alguém que:

  • Filme.
  • Edite.
  • Monte.
  • Ilumine.
  • Faça som.
  • Escreva guiões.
  • Crie o storytelling.
  • Legende.
  • Acompanhe gravações.
  • Faça o calendário de conteúdos.

E, se sobrar tempo, talvez respire.

Querem alguém criativo, autónomo e com olho apurado, basicamente, o Spielberg do CapCut.

Vamos por partes, como diria o realizador do Saw:

Um videógrafo filma e edita.

Um editor trabalha na pós-produção.

Um content creator pensa no guião, nas tendências e no calendário editorial.

  • Este anúncio, por sua vez, mistura tudo num blender e chama-lhe “função dinâmica”.

Na prática, pedem:

  • Um realizador,
  • Um editor de som,
  • Um gestor de redes,

e ✍️ Um copywriter…

… tudo dentro da mesma pessoa e, com sorte, pelo salário de um estagiário criativo.

“Cumprir prazos e metas estabelecidas.”

Traduzindo: vais ter deadlines impossíveis, zero briefing, e ainda a honra de ser responsável por tudo o que não correr bem.

“Disponibilidade para acompanhar gravações presenciais.”

Traduzindo: além de editar até às 3h, também vais carregar o tripé às 9h.

“Conhecimento de storytelling e estética de marca.”

Traduzindo: queremos alguém que saiba contar histórias… mas nunca a sua própria história de burnout.

O problema é estrutural:

Por cá, ainda se confunde ser criativo com ser omnipotente.

Se mexes numa câmara, devias também saber color grading, som, copywriting, reels, TikTok, SEO e talvez um bocadinho de motion graphics “só para animar”.

Ainda não se entendeu que conteúdo de qualidade precisa de tempo, foco e equipas, não de um “unicórnio multitarefa” que faz tudo sozinho.

Empreender também é conhecer o mercado, resolver problemas, não perpetuá-los.

E Celso, não precisas de um editor milagroso.

Precisas de uma boa estratégia e de uma equipa profissional de vídeo e comunicação.

Lembro-me assim de repente da Lift Consulting que tem uma equipa super profissional.

E já agora, para ajudar o Celso a não queimar mais criativos:

Empresas que trabalham na área de produção de vídeo e estratégia de comunicação, deixem-se ver nos comentários .

Autor

A Filipa é estratega de RH, autora da rubrica original “Trabalho do Demónio” e mestre na arte de detectar o disparate com uma pontaria feroz. Tem mais de 15 anos entre o talento e a tecnologia, a agilidade e a burocracia, a promessa e a realidade. Vive entre frameworks ágeis e cafés fortes, mas é no absurdo dos anúncios de emprego que encontra o seu combustível. Escreve com ironia afiada e precisão cirúrgica. Ri-se para não chorar — e expõe para transformar. Porque humanizar o trabalho começa por saber olhar de frente o ridículo. E dar-lhe nome.

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