Trabalhos do Demónio – Episódio #25 – O “Director” que faz de tudo… menos aquilo que devia?

Aqui há uns dias publiquei o Trabalho do Demónio #24. Esta vaga foi-me enviada por alguns potenciais candidatos, que expressaram que decidiram não se candidatar devido á falta de informação e confusão de funções da posição.

A rúbrica, dos #TrabalhosdoDemónio, começou, como já aqui disse, por puro cansaço com a falta de noção e profissionalismo no nosso mercado de trabalho. É escrita num tom provocador, com humor, questionando práticas comuns de recrutamento, sobretudo nas #PME portuguesas. Não se trata de ridicularizar empresas ou pessoas, mas de abrir espaço para diálogo e melhoria.

Sei que este tipo de “tom” e “narrativa” é dificil de encaixar na nossa cultura Portuguesa.

Tendemos a (ab)usar uma certa “diplomacia tóxica”, temos dificuldade de assumir erros, de pedir ajuda e acabamos só por nos prejudicar enquanto empresas/mercado.

Com este #trabalhodoDemonio, recebi uma mensagem da Maria Leonor Carvalho, filha do CEO da Seveme, SA, que partilhou na sua mensagem pontos importantes: os desafios de recrutar fora dos grandes centros urbanos, a importância da formação interna, e a realidade de gerir uma empresa familiar com décadas de história. Nada de novo para mim, confesso!

Detalhou-me também alguns benefícios e condições da vaga em questão, informação, em tom de justificação, que, é informação que deveria constar diretamente no job posting. Transparência sobre condições, progressão, e estabilidade é essencial para qualquer candidato avaliar oportunidades de forma justa.

Tudo o que esta empresa tem feito, é extremamente relevante e digno de reconhecimento. Uma empresa com 30 anos de mercado, baixo turnover, e impacto positivo na região, etc.

Ao mesmo tempo, acredito que mais do que me esclarecer a mim ou adoptar uma postura defensiva, aos dias de hoje, é essencial:

  • ter poder de encaixe,
  • apostar em práticas diferenciadoras,
  • sermos mais líderes e menos chefes,
  • aceitarmos limitações e buscar ajuda e boas práticas externas.

E é claro, que em pleno 2025 a Serveme tem grandes lacunas em processos de recrutamento, gestão de beneficios, RH. E esta é uma área fulcral para se investir.

Aos dias de hj, para a sobrevivência e crescimento das nossas empresas, é fundamental aceitar as nossas limitações, aprender com os outros e evoluir.

Deixo-vos esta reflexão, Armelim Hipólito e Maria Leonor Carvalho.

Assim como o convite para participar num episódio do Trabalho do Demónio, Conselhos das Deusas comigo e com a Anabela Moreira. Estamos disponíveis para partilhar experiências, discutir boas práticas de liderança, comunicação de vagas ou retenção de talento, etc.

Com mais ou menos humor, é imperativo olharmos para dentro e em conjunto contribuir para melhorar o mercado de trabalho em Portugal.

Juntos. Sem medos.

E se este post, vos vai pôr a pensar e procurar um profissional de RH para vos ajudar – para mim já é uma vitoria. Se quiserem ajuda, cá estaremos.

Obrigada.

Autor

A Filipa é estratega de RH, autora da rubrica original “Trabalho do Demónio” e mestre na arte de detectar o disparate com uma pontaria feroz. Tem mais de 15 anos entre o talento e a tecnologia, a agilidade e a burocracia, a promessa e a realidade. Vive entre frameworks ágeis e cafés fortes, mas é no absurdo dos anúncios de emprego que encontra o seu combustível. Escreve com ironia afiada e precisão cirúrgica. Ri-se para não chorar — e expõe para transformar. Porque humanizar o trabalho começa por saber olhar de frente o ridículo. E dar-lhe nome.

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