O Polvo
Hoje é terça-feira e, como manda o novo calendário das revelações laborais, é dia de mais um episódio do Trabalho do Demónio – Conselhos das Deusas.
No centro do picadeiro de hoje, trazemos uma pérola do mercado de Recursos Humanos. E quando dizemos “recursos”, queremos mesmo dizer todos os recursos — de preferência concentrados numa só criatura.
RH – O POLVO
A vaga pede um profissional de Recursos Humanos. Mas não um qualquer.
Querem um verdadeiro milagre da natureza: alguém com oito braços, 48 horas num dia e uma estabilidade emocional à prova de abuso.
Vamos aos detalhes desta ode à polivalência:
– Título: Diretor de Recursos Humanos (pomposo, como convém).
– Tarefas: Payroll, recrutamento, funções administrativas e, se sobrar tempo, alguma estratégia.
– Salário? Mistério absoluto. Devemos estar perante um segredo de Estado.
A pergunta impõe-se:
Porque contratar quatro pessoas quando podes explorar uma até ao tutano?
Se sempre sonhaste em ter um cargo de direção, mas fazer trabalho 100% operacional, esta é para ti. Um presente envenenado embrulhado em papel de “projecto desafiante”.
Requisitos obrigatórios:
– Trabalhar sob pressão, sem chorar no WC nem levantar a voz na copa.
– Resolver tudo com um sorriso, mesmo quando estás a fechar salários às 23h.
– Discrição absoluta. Para que ninguém saiba o que aceitaste nem quanto (ou quão pouco) vais receber.
Bónus final:
Se conseguires sobreviver à semana, ganharás o título não-oficial de “Mago da Gestão de Tempo” e poderás adicioná-lo com orgulho ao teu LinkedIn.
Se conheceres mais vagas que desafiem os limites da dignidade e da ética profissional, envia por mensagem privada.
Este circo ainda agora começou.


