Série I - Conselhos das DeusasBrio, “Estou” e Outras Formas de Brincar aos Empregos
Contemporary office setting with diverse employees working diligently at their cubicles.

Brio, “Estou” e Outras Formas de Brincar aos Empregos

Quando pedimos brio, mas mostramos apenas confusão e falta de estrutura… é disto que se trata.

Mais um Trabalho do Demónio que me chegou pelas vossas mãos. Candidatos válidos para as posições partilham vagas diariamente, mas muitas vezes não se candidatam porque o anúncio transmite… mais do que quem gere a empresa pensa.

A LBF – Lino Barros & Ferreira, Lda está a contratar.

Os anúncios: confusos, sem informação.
Temos uns post partilhados na página da empresa, ora uma vaga no perfil do CEO. São 2 vagas? 3? É o quê afinal?

Fala-se de reestruturação, mas claramente não se procurou apoio de profissionais de RH.
Qual foi/é a reestruturação mesmo? Pessoas despedidas?
Elementos-chave que chegaram ao limite e deixaram (alegado) caos e gestão sem estrutura?
Que reestruturação séria e estruturada de uma empresa é feita sem apoio de recursos humanos, de equipa com formação para tal? Pois…

Pede-se brio. BRIO. Em pleno 2026, o que é isto de brio num anuncio de emprego? Parece-me cheiro a mofo e naftalina.

E inicia-se um processo de contratação assim… confuso, perdido, desestruturado.

Com toda a honestidade, Daniel Barros sabes o que isto comunica?

“ℙ𝕖ç𝕠 𝕒𝕢𝕦𝕚𝕝𝕠 𝕢𝕦𝕖 𝕟ã𝕠 consigo 𝕕𝕒𝕣.”

Porque nada diz profissionalismo como pedir brio enquanto o processo de contratação denuncia CAOS!

Refere-se várias vezes que a empresa tem 55 anos. Em pleno 2026, idade não é qualidade. Experiência sim. Se tem 55 anos no mercado, é sinal de que deveria saber contratar de forma ética e profissional. Mas não, usam isso como selo de qualidade e ignoram que talvez… só talvez… os processos precisem de atualização.

E a cereja no topo do bolo: o CEO publica uma vaga claramente copy paste de uma qualquer IA com um “Estou”.

Disclosure: O Linkedin deixa editar os posts. Basta clicar nos 3 pontinhos…

Quando li isto só me lembrei daquele anuncio da Telecel de 1998:
– “Estou Xim? É pra mim?”

Vamos lá a ver:
– O problema não são as máquinas.
– E isto não é um ataque à LBF (tenho plena consciência que o nosso mercado e a nossa cultura tende a não ter poder de encaixe para os Trabalhos do Demónio)

Isto é um triste espelho do que se passa no nosso mercado de trabalho.
– não se investe em RH e employer branding
– “é caro” e “pagamos muitos impostos”
– misturam-se posições, funções, vagas

Mas depois reclamam:
– falta de talento
– baixa produtividade
– pessoas que “não têm brio”
– equipas que “não vestem a camisola”

Uma empresa não é só um parque industrial moderno.

É um organismo vivo, feito de pessoas, processos, comunicação e liderança.
A forma como contratas é o reflexo direto de como geres por dentro.
Máquinas de última geração não compensam processos de 1998.

Brincar aos empregos e depois reclamar da produtividade?

Em 2026, não é azar.
É consequência.

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